Prevenção e Controle Vassoura-de-Bruxa da mandioca
VASSOURA-DE-BRUXA DA MANDIOCA(Rhizoctonia theobromae)
A Vassoura-de-bruxa da mandioca (macaxeira ou aipim) ou morte descendente da mandioca é uma doença de alto potencial destrutivo, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae). O Ministério da Agricultura e Pecuária declarou, em 2025, emergência fitossanitária para os estados do Amapá e Pará devido essa praga representar uma grave ameaça à segurança alimentar e econômica das comunidades rurais atingidas.

| Nome científico: | Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae) |
| Nome comum: | Vassoura-de-bruxa da mandioca ou Morte descendente da mandioca |
| Grupo: | Fungo |
| Família: | Ceratobasidiaceae |
| Gênero: | Rhizoctonia |
Fatores Epidemiológicos da Praga
Por ser uma praga de recente introdução no Brasil, pouco se conhece sobre a interação do fungo com os hospedeiros nas condições ambientais brasileiras.
O que a ciência confirma é que o causador da doença se dissemina, principalmente a longas distâncias, por meio de material de plantio doente (manivas ou ramas), ferramentas e maquinários contaminados, exigindo rigoroso controle para proteger as lavouras sadias. Estudos preliminares e o comportamento da doença nas áreas afetadas indicam que a disseminação dentro da lavoura e entre lavouras próximas ocorre também por meio de estrutura de reprodução do fungo.
Sintomas e Danos da Praga
As plantas de mandioca afetadas apresentam ramos enfraquecidos e secos, com redução do crescimento da planta, brotos fracos com pecíolos curtos. Observa-se intensa emissão de brotações laterais desordenadas, formando um conjunto que lembra uma “vassoura velha”. Ao cortar as hastes, verifica-se o escurecimento dos tecidos internos, caracterizando necrose vascular. Com a evolução da doença, ocorre secamento progressivo da parte superior da planta, que avança de cima para baixo em direção a raiz. De modo geral, as plantas tornam-se menores (nanismo), apresentam folhas amareladas (clorose) e evoluem para secamento rápido, até a morte da planta.

A vassoura-de-bruxa da mandioca pode causar perdas expressivas de produção, com reduções estimadas entre 30% e 60%, podendo, em casos mais graves inviabilizar a colheita devido ao apodrecimento das raízes e à morte da planta. As raízes que eventualmente chegam a ser produzidas apresentam queda de qualidade, podendo tornar-se inadequadas para o processamento, especialmente para a produção de farinha.
Os impactos vão além da lavoura, atingindo o aspecto socioeconômico, com redução da renda de produtores, especialmente pequenos agricultores e comunidades tradicionais, com risco de desabastecimento em regiões dependentes da cultura e necessidade de mudança de hábitos alimentares das comunidades.
Medidas de Prevenção
Para prevenir a disseminação da doença é fundamental adotar medidas rigorosas de contenção e manejo. Não se deve movimentar material de plantio, como manivas ou ramos, restos de colheita ou qualquer parte de plantas de mandioca provenientes de áreas suspeitas ou infectadas, uma vez que o material vegetal constitui o principal meio de dispersão do fungo.
Em caso de confirmação da doença, recomenda-se a remoção e destruição imediata das plantas e resíduos infectados, visto que o fungo pode permanecer viável no solo.
Também é essencial realizar a limpeza e desinfecção de ferramentas e equipamentos agrícolas utilizados no cultivo da mandioca. As soluções de limpeza podem ser preparadas à base de hipoclorito de sódio ou amônia quaternária.
O controle do trânsito de pessoas, máquinas e veículos deve ser intensificado, evitando o uso de equipamentos provenientes de áreas contaminadas em locais livres da doença, bem como promovendo a desinfecção de calçados, roupas e veículos.
Por fim, é importante reforçar o monitoramento das áreas vizinhas, com inspeções frequentes para identificação precoce de novos focos e adoção rápida de medidas de controle e contenção.
Distribuição Geográfica da Praga
Brasil
A Vassoura-de-bruxa da mandioca foi identificada pela primeira vez no Brasil em julho de 2024, em plantações de mandioca nas terras indígenas do Oiapoque, no Amapá. A atualização das informações quanto às áreas afetadas, número de inspeções realizadas, número de amostras coletadas e de casos positivos, entre outras, pode ser acompanhada por meio do Painel da Vassoura-de-bruxa da mandioca.

Outros Países
Desde 2020, a doença Vassoura-de-bruxa da mandioca tem sido classificada pelas autoridades internacionais como praga emergente na mandioca no Sudeste Asiático e na Melanésia. Também tem registros de ocorrências da praga em outros países dos continentes Americano, Asiático e Oceania.
Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, classifica o fungo Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae) como uma praga quarentenária presente.
A Portaria SDA/MAPA nº 1.257, de 19 de março de 2025, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Vassoura-de-Bruxa-da-Mandioca (PVBM). Vinculado a esta normativa, está o Manual de Procedimentos, que traz ações complementares a serem adotadas para o enfrentamento desta praga.
A Portaria MAPA nº 769, declara "estado de emergência fitossanitária relativo ao risco de surto da praga quarentenária presente Rhizoctonia theobromae nos estados do Amapá e Pará". A Portaria MAPA nº 880, de 22 de janeiro de 2026, prorrogou o estado de emergência por mais um ano.
A Portaria SDA/MAPA nº 1.253, de 14 de março de 2025, alterada pela Portaria SDA/MAPA nº 1.300, de 17 de junho de 2025 instalou o “Centro de Operações de Emergência (COE) - Vassoura de Bruxa da Mandioca”, como um mecanismo de articulação intra e interistitucional para o enfrentamento desta emergência.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Embrapa: Vassoura de bruxa da mandioca (https://www.embrapa.br/vassoura-de-bruxa-da-mandioca)